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sexta-feira, 22 de julho de 2011

"Liberte sua mente que seu traseiro vai junto."

A máxima de George Clinton, título de um álbum do Funkadelic de 1970, parece ser o mote de festivais neste ano, convocação para dançar ao som da música negra, de funk antigo e moderno ao hip-hop e ao samba-rock.

O Brasil viu os recentes shows de Amy Winehouse e Sharon Jones. Em seguida, houve os anúncios de apresentações de Prince e Macy Gray (no Rio, em agosto, no festival Back2Black) e Stevie Wonder, Jamiroquai, Joss Stone e Janelle Monáe (em setembro, no Rock in Rio).

Agora é a vez de acontecer, de amanhã a domingo, em São Paulo, o megafestival Black na Cena, na Arena Anhembi (leia mais atrações no quadro ao lado).

Michal Cizek/France Presse

George Clinton em show em junho em Praga, na República Tcheca

George Clinton em show em junho em Praga, na República Tcheca

Atração principal da primeira noite, o visionário genial e excêntrico George Clinton comemorará o aniversário de 70 anos em pleno palco, se apresentando ao lado de banda de mais de 20 integrantes --incluindo três bateristas, cinco guitarristas, dois tecladistas e dez vocalistas.

"Meu papel é ser o guarda de trânsito da música em cima do palco", contou ele por telefone à Folha, com voz rouca e grave.

"Eu crio, mas também desordeno tudo. Gosto de dar obstáculos aos músicos para não ficar fácil demais, deixar sempre desafiador. Eles não podem parar, têm de dar o melhor que podem para o que a música precisa. E tocam assim constantemente --através de todos os obstáculos e também quando estão confortáveis. Eles sentem o que o público precisa para dançar."

Quarenta anos de hits devem ser bem representados no show, com músicas como "Atomic Dog" (de Clinton solo, 1982) e "Give up the Funk" (do Parliament, de 1976).

Referência máxima para tanto hoje em dia, seria difícil inclusive imaginar o cenário pop sem a influência de Clinton e de suas famosas criações da mitologia P-Funk, das bandas Funkadelic e Parliament. Uma nação sob o mesmo groove.

BERÇO

"Meus antigos discos fazem muito sentido hoje porque foi dali que veio muito do hip-hop", afirma o compositor, cantor, mestre de cerimônias e "guarda de trânsito".

"No álbum 'Mothership Connection', eu estava interpretando o papel dos meus DJs favoritos de Nova York, era basicamente como um DJ falando em cima das músicas. Foi isso que o hip-hop virou: música para pista de dança, com DJs falando por cima dos discos. Era o que estávamos fazendo."

FESTAS

E, desde sempre, com o espírito de convocação em primeiro plano, tantas músicas nestes 40 anos falando sobre vencer, conquistar, dançar, realizar.

A inspiração para tanta pró-atividade? "Diversão, festas e fazer o que tem que ser feito", explica o mestre.

"Fazer ao máximo, nunca parar de fazer, sempre evoluindo e sempre se movendo. Toda a intenção da minha vida e da minha música é provocar as pessoas para fazer elas se divertirem."

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