KISS FM

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Marcelo Specie. Tecnologia do Blogger.
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Mês de setembro já dando as caras e com ele uma leva de shows e festivais que prometem agitar os ânimos (e os bolsos) dos que curtem boa música e daqueles que não curtem música tão boa assim (ou esperam encontrar). O mais badalado deles tem sido, é claro, o famigerado Rock In Rio em sua 3ª Edição (trocadilho RIR inevitável!) A edição desse ano, obviamente teve muitas controvérsias, a começar pelas atrações realmente rockers já que também é tradição do evento ter opções pop oque neste caso isolado o pontapé no saco me fez preferir nem citar as escolhas.
Pois bem, antes voltemos na edição inaugural, em 1985. O primeiro Rock in Rio aconteceu em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, em uma área de 250mil metros quadrados especialmente construída para receber o evento. Era o começo da democracia no Brasil, que foi celebrada com um grito de união e liberdade ao se abrir pela primeira vez as portas do país (e da América do Sul) às grandes atrações internacionais.  Nomes de peso no line up como: AC/DC, All Jarreau, B’52s, George Benson, Go Go’s, Iron Maiden, James Taylor, Nina Hagen, Ozzy Osbourne, Queen, Rod Stewart, Scorpions, Whitesnake e Yes. Além de nomes de respeito no lado nacional como: Barão Vermelho, Erasmo Carlos, Paralamas do Sucesso e Rita Lee. Shows que lotavam e tiveram grande repercussão da mídia. Mas claro que a Senhora desse país Rede Globo cometeu gafes horrorosas, esta mesma que propaga aos quatro cantos o “hino” enjoativo do evento acompanhado pela exaustiva promoção em sua capenga programação. Eu tinha apenas 4 anos na época e já adulto dispondo das maravilhas da internet corei de vegonha ao ver no youtube a pérola como a emissora se referindo ao Eddie como “E agora rock pauleira (sic) pros metaleiros, um pouco mais do satânico (sic) Iron Maiden (a pronúncia do nome aqui me deu calafrios), com a participação especial e muito bem humorada (!?!) de Eddie, o monstro!” QUE DESGRAÇA DE FRASE FOI ESSA?! Além da própria inventar o termo “metaleiro” oque pra mim é gente que trabalha em metalúrgica, enfim... Como esquecer da então inexperiente Glória Maria, irritando Freddie Mercury repetindo a mesma pergunta por várias vezes em português e em inglês além de insistir na questão de que se a música “I want to break free” tinha um apelo gay, irritando visivelmente o vocalista. Lapsos a parte tivemos grandiosos espetáculos proporcionados por AC/DC, Iron Maiden, Queen, Ozzy e a grata surpresa que foi o Whitesnake.
Voltariamos a ter uma nova edição apenas em 1991. Desta vez, o evento aconteceu no Estádio do Maracanã, que foi adaptado para receber o palco e o público no gramado – além de ter suas arquibancadas ocupadas, somando mais de 700 mil pessoas. Desta feita tivemos: A-HA, Billy Idol, Colin Hay, Debbie Gibson, Dee-Lite, Faith No More, George Michael, Guns N’Roses, Happy Monday, Information Society, INXS, Joe Cocker, Judas Priest, Lisa Stansfield, Megadeth, New Kids on the Block, Prince, Queensryche, RUN DMC, Santana e SNAP. Destaques para Guns N´Roses e ataques de estrelismo de Axl Rose e Judas Priest com um de seus últimos shows com Rob Halford antes de sua saída da banda que resultou em mais de 10 anos de ausência. Como pudemos ver tal edição ganhou um status bem mais grandioso com nomes de peso em varias tendências da época.
Dez anos separaram a 2ª pra nova edição que aconteceria apenas em 2001, voltando a Jacarepaguá , seu local de origem. Foi nessa terceira edição que nasceram também outros espaços além do palco principal, voltados a apresentações divididas por estilos - como música eletrônica e música africana. Atrações da vez foram:  Aaron Carter, Beck, Britney Spears, Dave Mathews Band, Deftones, Five, Foo Fighters, Guns N’ Roses, Iron Maiden, James Taylor, Neil Young, N´Sync, Oasis, Papa Roach, Queens of The Stone Age, Red Hot Chili Peppers, REM, Halford, Sting, Sheryl Crow e Silverchair. Destaquemos o retorno triunfal do Iron Maiden no que resultou na gravação de um belo DVD ao vivo; as primeiras apresentações em terras brazucas de QoTSA (com direito a baixista peladão e preso em seguida) e Foo Fighters; o esperado e houve quem gostasse do Guns´n Roses (com um obeso Axl e sem a patota original) e a bela apresentação dos sempre estimados Red Hot Chilli Peppers. Sabe se lá oque aconteceu com a cabeça (ou a conta bancária) do Sr. Medina que resolveu levar o Rock in Rio lá para fora (Pasmém, tirasse o “RIO” do nome então...) Sendo edições em Lisboa (2004, 2006, 2008 e 2010) e Madrid (2008 e 2010).
Depois de longos anos de espera eis que o evento retorna à terra natal e desta vez com votações para escolherem os eventos rock´n roll sendo Guns e System of a Down campeões na preferência da galera. Logicamente o patrono do evento também não deixou de fora nomes modistas do pop atual porém na escolha da base das bandas de rock conseguiu dar um certeiro tiro...no pé.  Tal como Coldplay (argh! E como headliner!!!), Maroon 5, Maná, Evanescence, Snow Patrol, Glória (who?). Sai Elba Ramalho mas temos Ivete Sangalo e Claudia Leitte como embaixadoras do rock...(!!!!!!!!!!) Salva a Pátria Metallica (quem os viu ano passado nos dois shows de SP sabe que este pode ser o diferencial do evento em não ser uma grande roubada), Red Hot Chili Peppers que acaba de lançar um bom disco aclamado pela critica, Slipknot, Motorhead  e Lenny Kravitz animam quem gosta de guitarras ao invés de timbaladas.


Internautas roqueiros demonstram indignação com a convocação de artistas do pop e da axé music  para o set do Rock in Rio 2011, o que só ajuda a promover ainda mais o evento. Tanto que se criou até a tag #RockInRioEuVouFicarEmCasa porém os organizadores não parecem demonstrar alguma compaixão dos fãs “órfãos”. Bom, radicalismos à parte acho que somos é sortudos por ainda não incluírem sertanejo universitário e funk carioca no line up da festa. O “Rio” do nome já está defasado agora o “Rock” parece ter ficado também. Lembremos que deveria ser um evento onde se revelassem bandas as quais penam pra tocar uma composição sua nas rádios e tem até certo prestígio regional, seria uma grande porta de entrada para uma possível carreira gloriosa onde tais artistas renomados e cansativamente chamados para a franquia do evento já famosos, consagrados, milionários e que não fazem nada de novo ganhem cada vez mais espaço na mídia, inclusive nas ditas alternativas e formadoras de opinião. Enfim, boa sorte pra você que vai e eu fico mais com o SWU que pode não ser o melhor festival de todos os tempos mas esse ano prometeu um repertório de bandas que fazem desse RIR de se fazer rir mesmo.

A.V.

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